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Crítica: House quer ser medíocre


Vanessa Medeiros

Divulgação  

Se House pudesse diagnosticar a própria série durante a temporada passada, diria que ela se aproximava de um estado terminal. Depois de anos explorando o mesmo formato do paciente por semana - e do diagnóstico milagroso ao final de 60 minutos de sarcasmo, a quinta temporada foi a mais irregular, com o abandono de tramas como a adoção de uma filha para Cuddy ou o detetive que não agradou à audiência e acabou eliminado da produção antes do tempo.


Mesmo assim, a série foi a mais assistida de 2008 - o que explica o boom de dramas hospitalares nos últimos meses. Em 2009, o primeiro capítulo da nova fase foi visto por 16 milhões de pessoas nos Estados Unidos, o que prova que o House de Hugh Laurie é uma construção sólida, talvez a mais confiável da emissora Fox norte-americana. Mas audiência não é tudo. E não é definitivamente o que pode inscrever a série na história da TV.


Era preciso uma renovação - e escrever um episódio baseado apenas no talento de Hugh Laurie, rodeado só por novos personagens, é uma atitude corajosa. Em Broken, House é lançado em uma clínica psiquiátrica, onde tenta se curar das alucinações com Amber e Taub.


Gregory Van Gogh


Na clínica, House se vê sozinho, obrigado a lidar com um tratamento que o incomoda. É uma condição do diretor da instituição para que ele seja autorizado a praticar medicina novamente. No entanto, nem a internação e nem a distância de casa são os problemas que mais o aborrecem. Nosso protagonista está lidando com a mais recente de suas geniais percepções: a de que almejar a felicidade não é, necessariamente, incorrer na mediocridade.


Seu medo é de que, lutando pelo bem-estar, torne-se mais uma das pessoas comuns das quais passou as últimas décadas se desfazendo. Até hoje, valeu mais a pena pensar, angustiado, sobre o mundo a sua volta do que admirá-lo. Estou cansada de a vida ser interessante, diz Lydia, a alemã que conquista House neste episódio, cristalizando seus pensamentos desde que deu entrada na clínica.


Até aquele momento era inaceitácel para House que alguém se cansasse da racionalidade. Numa das consultas com seu terapeuta na clínica, Dr. Nolan, House pergunta se Van Gogh seria um gênio se consultasse um psicólogo. Ao que Nolan responde:


- Não sei, mas sua vida seria melhor e ele morreria com as duas orelhas.


É a percepção de que é impossível observar a vida com certo nível de lucidez sem se dar conta de que há muito pouco para celebrar. O problema é descobrir com isso os limites entre loucura, sanidade e o terceiro termo que a atração propõe: fantasia.


Todo mundo mente: Realidade, ficção e fantasia



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